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Blog EntryJan 8, '07 12:44 PM
for everyone
As fantasias sexuais que brincam com as peças do vestuário feminino incentivam a imaginação. O erotismo vive do que alimenta o prazer.


Por Cristina Flora


O uso de artifícios, e neste caso de roupas e acessórios femininos, para a realização de diversas fantasias sexuais é quase desconcertante. Este mundo alimenta-se da imaginação de todos: dos que inventam os trajes, aos que os dispõem por catálogos, passando pelos próprios consumidores que vestem as roupas mais ou menos convencionais. Podemos encontrar e surpreendermo-nos com uma passerelle original, povoada por incríveis modelos: a inocente colegial, de mini-saia plissada, camisa branca e meias de algodão até ao joelho; a empregada, com o seu body e luvas em tule, de licra branca transparente com detalhes em viés preto, mini-saia pregueada e arco para a cabeça; freira noviça, de hábito preto e branco para o rosto, e micro-saia com ajuste em cetim; coe-lhinha com rabinho pompom e muito mais.


Catalogadas com todos os devidos e reduzidos adereços, desfilam a enfermeira, a noiva sensual, a odalisca, a escrava do prazer, a pantera sexy, a guerreira tribal, a mulher polícia ou militar, a viúva, a bombeira em vinil, a tigre e a egípcia, a diabinha e a ingénua capuchinho vermelho. Toda uma galeria de personagens que despertam a atenção e a libido dos adultos, já que o Carnaval que se propõe é para ser vivido a dois e entre os lençóis, na privacidade do lar. E, apesar de não serem tão expressivas ou numerosas, as fantasias para uso masculino também existem: o fato-macaco azul do

homem da garagem, o padre, o super-herói, o escocês e a sua saia, que segundo a tradição dispensa os shorts como nos demonstra um tentador anúncio de whisky –, são alguns exemplos. Além das fantasias comercializadas, há ainda aquelas que se improvisam em casa, com uma ou outra peça mais extravagante ou erótica. E, depois, não é obrigatório que se entre numa sex-shop. A questão é: será normal?

Para a psiquiatra Luísa Gonçalves, o uso de peças de roupa de forma a compor uma fantasia sexual passa pelo proibido: “Tudo o que é interdito – no sentido da hospedeira ou da colegial que é menor, da Lolita – aumenta a libido. Há um desejo que tem de ser cumprido. Se houver uma pessoa que vista uma vestimenta de alguém interdito pode suscitar aumento da libido. Trata-se de um interdito associado a uma imagem não vivenciada, portanto não passou ao acto, só imaginou, não pôde concretizar, e mais tarde pode vivê-la em fantasia. É o deslocar de antigos sonhos eróticos comuns aos homens. São coisas recalcadas, que se cruzaram na vida de cada homem e às quais ele não teve acesso – a adolescente, a criada, a bombeira. Na autoridade não se toca, é uma fonte de respeito, pode desejar-se mas há que conter. Ora, transferindo a farda para o objecto de desejo, isso amplia a libido.”


Poderemos então brincar aos interditos sem que isso seja considerado patológico? “Dentro do campo sexual, ter fantasias – até as fantasias banais do romântico que não passam por acessórios mas pelo cenário belo de um hotel em Marraquexe, ou uma ilha deserta, por exemplo – é considerado aceitável e cultivado por nós ao longo do tempo. As fantasias com a roupa são normais enquanto jogo de brincadeira, uma experiência nova de formas de encontrar prazer ou de se relacionar. O jogo pelo jogo é perfeitamente inócuo. Passam a ser patológicas quando o acto sexual só é conseguido com a existência de um objecto extra. Se além dos dois seres humanos, o acto sexual precisa de qualquer objecto – seja ele o salto alto preto, uma rosa na boca ou uma chibata –, para todos os efeitos, isso já entra no campo da patologia. Há uma transferência do desejo do outro para o objecto, ou seja, o outro é que passa a ser complemento”, explica a psiquiatra.


As mulheres fantasiam-se mais do que os homens. Aliás, o rol de possibilidades para isso, como vimos, é extraordinário. Quem veste uma fantasia está a provocar, em primeiro lugar, o olhar do outro. Mas para qual dos dois sexos será mais importante este estímulo visual? Nos homens, o facto de verem, mesmo sem tocarem, é o suficiente para que o gatilho do desejo seja disparado. Mas será ele mais receptivo a excitar-se com este tipo de fantasias ou a mulher também tem prazer em fantasiar-se para o parceiro? “A mulher, ao longo dos tempos, foi muito o objecto de prazer do homem, embora existisse uma disjunção: a mulher bem comportada em casa e a amante com a qual se podia ter prazer. Havia uma cisão imposta pelo respeito. O que é que acontece? O homem está mais ligado ao fabrico deste tipo de objecto. Adora, por exemplo, ver uma mulher colada em vinil. As mulheres são mais inibidas, não de concretizar a fantasia do homem, mas as suas próprias fantasias. Normalmente, estão relacionadas com o herói romântico. O cozinheiro também é um grande viagra para a mulher, mas a fantasia número um são os padres, uma vez que se trata do inacessível. O padre ou os seus superiores hierárquicos, quanto mais para cima melhor. O primeiro-ministro, por exemplo. O poder é um grande afrodisíaco. Os lugares de poder são muito libidinosos, estimulam muito o impulso sexual da mulher.”


Para Luísa Gonçalves, estas fantasias mais chocantes pela ousadia – o padre, a freira, a viúva ou até a noiva – são escolhidas pela transgressão: “O sexo transgressor, no sentido de duplicar o pecado, transgredir a norma, aumenta a libido. As fantasias vêm muito do inconsciente. Porquê a noiva e não a bombeira? Tudo isto tem a ver com o traço de personalidade da pessoa que escolhe, tem a ver com vivências pessoais e fantasias. Não é assim tão claro o porquê de uma escolha e não de outra. A da noiva significa manchar o branco, a pureza, o desvirginar o outro, o ser o primeiro a pecar com o outro. No masculino, há muita gente que tem a fantasia da virgem, de desbravar a floresta negra freudiana que é a mulher. A prostituta virgem é paga a preço de ouro.”


De facto, é difícil explicar uma fantasia. Dizer, por exemplo, “gostava que esta noite te vestisses de Tarzan” não deve ser fácil. Mas porque nos sentimos tão ridículas ou temerosas da reacção do parceiro? “As fantasias não surgem do nada. Tal como os sonhos e o pensamento são o nosso espaço de liberdade, o nosso imaginário. O abordar esse tema é revelar ao outro partes de nós, e daí, um certo cuidado ao fazê--lo. As pessoas temem a exposição. Tem de haver uma intimidade, uma cumplicidade, uma propensão para o jogo que se intui no outro.”


Fantasiar algo é diferente de querer que a sua realização aconteça de facto. “Uma coisa é o condicional que é um verbo muito constrangedor – eu faria, eu seria, eu imaginaria, etc. –, é o verbo das pessoas que não ousam estabelecer patamares de objectividade prática para atingir os objectivos e se refugiam no sonho como forma de não se deixarem abater pelo quotidiano repetitivo. A fantasia na cabeça, a do condicional, é uma coisa, e outra coisa é a capacidade de tentar pôr em prática uma fantasia com estratégias claras. Por exemplo, se eu fantasiar com o príncipe Carlos, isso é impossível, mas com o vizinho do lado, usando uma estratégia adequada, eventualmente é possível. Há diversos níveis de fantasia: as irrealizáveis e que não passam disso, de um tubo de escape da mente, e há a tentativa de pôr o sonho em prática com uma certa objectividade”, explica a psiquiatra.


Com fantasias realizáveis e outras apenas no plano da imaginação, interrogamo-nos: afinal, para que servem as fantasias? “A sua função é essencial. Começa na nossa infância por fazer parte do nosso mundo pessoal, o que é imprescindível para um crescimento enriquecido, com uma cognição e uma capacidade de empreendimento ajustadas. Mais tarde, é o nosso refúgio secreto, no qual tudo, sem excepção, nos é permitido no campo do pensamento. As pessoas têm a grande capacidade de fantasiar, de sair do prático, do concreto, do básico, para o reino onde tudo é possível, deixar a mente liberta. Quem não tem esse potencial de abstracção eventualmente é pobre do ponto de vista mental”, considera a psiquiatra Luísa Gonçalves.


Podemos, então, encarar a fantasia como

um remédio contra a previsibilidade, a rotina? “O refúgio é uma manobra mental. As pessoas têm de ter cuidado com os hábitos de rotina, nos quais se inserem de uma maneira adormecida. Ficam anestesiados e anestesiantes. Repetem-se, ficam quase com o gesto automático. Estão tão cansadas, tão abstraídas e esvaziadas que os dias sucedem-se e o tempo perfura-as mas elas não passam pelo tempo. E é uma pena porque o tempo é tudo o que temos na vida. Para bem da sanidade mental, há que defender o nosso refúgio último, criar espaços para sair do automatismo, do cumprimento dos deveres para ter prazeres. Transcender a rotina.”


Uma fantasia normal e saudável pode reforçar o relacionamento do casal, desde que não existam humilhações, que não se force o parceiro e surja de uma forma espontânea. “Há pessoas que fazem esta fantasia simples: têm uma casa fantástica e vão dormir uma noite para um hotel. Trata-se de uma fantasia inócua e engraçada. Se para existir sexo tem de haver sempre um recurso externo ao casal, então há que parar para rever e analisar a situação. Há muitos casos assim, em que sem as botas nada funciona. Trata-se de fetichismo, sendo o fetiche a fixação num objecto. Por outro lado, se o objecto for usado pontualmente é um fait-divers, uma brincadeira.”


As fantasias sexuais são boas porque:

• Aumentam a cumplicidade e a intimidade

• Diminuem a hipótese de infidelidade

• Fortalecem a ligação entre o casal

• Tornam o outro mais atraente para o parceiro

• Combatem a rotina

• Aumentam a excitação e a frequência de sexo

• Dinamizam a actividade sexual

• Libertam sentimentos e sensações recalcadas

• Amadurecem os indivíduos

• Aumentam a auto-estima

• Asseguram o potencial erótico de cada um

• Aumentam os estímulos sexuais e o prazer

• Aliviam a ansiedade

• Despertam uma nova disponibilidade para o erotismo

• Produzem uma sensação de relaxamento e de bem-estar

• Expandem as possibilidades eróticas

• Permitem captar melhor os limites, desejos e capacidades na cama

• A performance sai sempre a ganhar


Para um casal viver uma fantasia sem medo ou desconforto “é necessário o conhecimento um

do outro, uma cumplicidade grande e, sobretudo, não haver reserva de dizer: a partir daqui, isto incomoda-me. As pessoas têm de ter honestidade. Não se devem ferir susceptibilidades, exercer pressões ou humilhações. Enquanto for bom para os dois, há muita coisa para brincar e fantasiar, e variar faz bem. É um sinal de criatividade, existência de prazer e desejo em estar vivo. O impulso sexual está muito ligado ao impulso de vida”, esclarece

a psiquiatra Luísa Gonçalves.


As fantasias sexuais têm assim mais um apelo, além do desejo do sexo extra rotina. Elas conseguem – se forem vividas como um jogo confortável – tornar os nossos dias mais coloridos, melhorar a nossa disposição e fazer com que a nossa vida nos pareça menos previsível e mais divertida.


 


miguel12770 wrote on Jan 8, '07
.
cicr wrote on Jan 8, '07
Gostei do teu comentário miguel12770, ehehhe
jcngr wrote on Jan 8, '07
até parece que as pessoas são obrigadas a comentar ... se na querem comentar na precisam de comentar.....
miguel12770 wrote on Jan 8, '07
Bem este é um artigo cientifico do kual não me traz muita novidade, concordo e parece-me bem tudo o ke é escrito, daí não haver comentário
miguel12770 wrote on Jan 10, '07
É pena não haver um artigo em vez de ser da Cristina Flora ser da Ana Planta ou Sara Vaqueiro
jcngr wrote on Jan 11, '07
por agora tens da flora, é margarina , já não é nada mau , se fosse areia era pior.

pode ser que depois apareça uma tal de chica vaselina ahahahahah
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